Leitores de títulos
Sabe aquele tipo de pessoa que pega um jornal/revista/livro e, ao invés de ler seu conteúdo, está interessado apenas nas figuras? Este tipo é bem comum, está aí a revista Caras que não me deixa mentir.
Mas além desse, existe um outro tipo, que hoje percebo ser também muito comum: o leitor de títulos.
O problema é que — ao que parece — percebi isto muito tarde. Já tem gente tirando proveito disso e, como podem comprovar em um comentário no meu recente texto sobre o IE7, a tática funciona. Aliás, abrindo um parêntese, não perca seu tempo lendo este texto (sobre o IE7). Pelo que li por aí ele é muito, muito ruim e, além de tudo, contém palavras de baixo calão, que fariam Dercy Gonçalves corar.
Fechando o parêntese e voltando ao assunto, no referido comentário um leitor, cujo nome — “VB Program” — me soa bastante esquisito, menciona um texto publicado no site IDG Now!, especializado em tecnologia, intitulado “Firefox tem mais falhas que Explorer em 2005″.
“VB Program” é o clássico exemplo do leitor de títulos. Em seu comentário, ele disse:
Os leigos veem (sic) esta discussão e acham que o Firefox é um navegador perfeito.
Confira no endereço abaixo o que ele aguarda pra você!
Ao ler o título, o nosso leitor de títulos pensa: Tá vendo. Esse firefox é que é uma porcaria (já que se eu falar “merda”, o pessoal se assusta). Tem mais falhas que o meu querido IE. Ah, como eu amo o IE… (suspiro)
Porém, ao ler o texto, eu, que não sou um leitor de títulos, percebi que, apesar de não estar incorreto, o título da matéria era no mínimo, incompleto. Eu o reescreveria como: “Firefox tem mais falhas de segurança que IE em 2005, porém os erros deste são mais graves e corrigidos mais lentamente” ou, para simplificar: “Firefox tem mais falhas de segurança mas IE continua sendo menos seguro”.
Por quê? Leia este trecho da matéria:
A Secunia, no entanto, mostra que das 17 falhas reportadas do Firefox 6% delas não foram corrigadas. No IE, esse número salta para 56%.
E mais esse:
Das falhas do Firefox relatadas pela Secunia, nenhuma delas era considerada extremamente crítica, 24% eram altamente críticas, 41% moderadamente, 24% pouco e 12% não causavam nenhum dano ou ameaça ao internauta.
No IE, 11% das falhas foram consideradas extramemente críticas, 22% altamente, 11% moderadas, 22% pouco e 33% não causavam nenhum dano ou ameaça ao internauta.
Abrindo mais um parêntese, vamos converter isso em números.
Das 17 falhas do firefox apenas uma (pouco crítica) não foi corrigida e outra (moderadamente crítica) foi parcialmente corrigida. Já no IE, das 9 descobertas 5 (2 pouco críticas e 3 não críticas) continuam sem correção e uma (moderadamente crítica) foi parcialmente corrigida.
Algo que não foi mencionado no texto do IDG Now! é que o Opera — que é um excelente browser — dá um show: todas as 6 falhas descobertas (4 moderadamente críticas e 2 pouco críticas) foram corrigidas.
Responda rápido: qual dos dois é mais inseguro? IE ou Firefox?
Se você chegou até aqui e leu a pergunta acima, é porque não é um leitor de títulos e, a não ser que você seja um funcionário da microsoft, vai dar a mesma resposta que eu a ela: IE.
Então leitores, por favor, entendam que quando digo que o IE é um pedaço de merda, digo isso porque além de ser usuário de browsers e desenvolvedor web preocupado com o suporte destes aos padrões, não sou um leitor de títulos.
Finalizando o texto (e me desprendendo completamente do assunto inicial), devemos perceber — tanto como usuários quanto como desenvolvedores — que nada do que foi implementado no beta 1 do IE7 ou prometido para o próximo é, de maneira alguma e sob qualquer ponto de vista, inovador. A microsoft está correndo para tentar atingir um nível que browsers como firefox e opera já atingiram faz tempo. Tanto em termos de renderização, suporte aos padrões e segurança quanto design de UI.
Quando ela chegar a esse nível, com certeza os outros — chamados de alternativos — já estarão na frente, muito na frente.
E o pior é que não podemos esperar que isso aconteça. Os desenvolvedores já avisaram de antemão que, para esta versão, ainda não conseguirão atingir este nível. Quem sabe para o IE8?
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Ótimo artigo, meus parabéns!