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	<title>Taxitramas</title>
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		<name>Mauro Castro</name>
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	<tagline type="text/html" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Taxistas são terríveis: reparam em tudo! Alguns, o que é pior, ainda escrevem na Internet. Feed feito por &lt;a href=&quot;http://www.brunotorres.net/&quot;&gt; Bruno Torres&lt;/a&gt;</tagline>
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    <title>ESTE BLOG MUDOU DE ENDEREÇO!!</title>
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    <![CDATA[
    <p>Se você chegou até aqui, é porque ainda não sabe: o TAXITRAMAS mudou de endereço. Acredite.</p>
<p><p></p>
<p>Novas histórias somente neste endereço:</p>
<p><a href="http://taxitramas.blogspot.com/">http://taxitramas.blogspot.com/</a></p>
<p><p></p>
<p>Ou simplesmente:</p>
<p><a href="http://www.taxitramas.com.br">http://www.taxitramas.com.br</a></p>
<p><p></p>
<p><b>SIGAM-ME OS BONS!!</b> </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40500578.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>O caso das gremistas molhadas</title>
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    <modified>2012-02-10T05:33:08-03:00</modified>
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    <![CDATA[
    <p>Certa vez, o apresentador do programa CQC, Marcelo Tas, publicou na revista Superinteressante a seguinte frase: “Um taxista gaúcho escreve aquilo que a gente já sabe: os motoristas de táxi têm a receita pra consertar o mundo”. Marcelo Tas é uma espécie de guru da comunicação brasileira. Quem sou eu para contestá-lo!</p>
<p>Porto Alegre estava sob chuva torrencial, não se enxergava um palmo à frente do pára-choque. Nas imediações do Estádio Olímpico, duas garotas tentavam, em vão, conseguir um táxi – elas estavam encharcadas e os taxistas não queriam molhar seus carros. Apesar das gurias estarem fantasiadas de gremistas, parei. Elas embarcaram agradecidas e me explicaram a situação.</p>
<p>Contaram que tinham vindo da cidade de Caxias especialmente para assistir ao jogo, que estava prestes a começar. Como chegaram em cima da hora, não conseguiram entrar no estádio, que já estava lotado. Molhadas dos pés à cabeça, o que lhes restava era pegar o ônibus de volta para Caxias.</p>
<p>O caso das gremistas ensopadas era periclitante, mas elas deram sorte de entrar no táxi do cara capaz de consertar o mundo. Propus levá-las a um lugar onde poderiam tomar um banho bem quente, assistir confortavelmente ao jogo e, de quebra, colocar as roupas a secar. Despidas de preconceitos, elas aceitaram a oferta.</p>
<p>Deixei-as em um motel, que oferece aos clientes TV a cabo e serviço de lavanderia. Não contavam com minha astúcia!</p>
<p>Depois de terminado o jogo, como combinado, peguei-as no motel. A caminho da rodoviária, banho tomado, secas e felizes com a vitória do Grêmio, elas não lembravam em nada as meninas desesperadas que encontrei horas antes. Posso estar enganado, mas sou até capaz de apostar que, depois do jogo no motel, nasceu entre aquelas duas gremistas algo maior do que a simples paixão pelo Imortal Tricolor... </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40497912.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Mãos ao alto!</title>
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    <issued>2008-11-17T12:00:00-03:00</issued>
    <modified>2008-11-17T12:00:00-03:00</modified>
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    <![CDATA[
    <p>Foi tudo muito rápido. Quando o assaltante puxou a arma, eu reagi por instinto, agarrei o cano, tentando afastá-lo de mim. O estampido seco ecoou dentro do táxi.</p>
<p>A bala saiu rasgando minha mão e seguiu rumo ao meu peito. Meus olhos arregalados registrando tudo em câmera lenta, quadro a quadro. Minha vida toda passou pela minha cabeça: a infância em Viamão, as brincadeiras, o colégio Marista...</p>
<p>O projétil perfurou a camisa, queimou a pele, penetrou em meu peito. Enquanto rasgava os tecidos musculares, minha vida seguia passando: a adolescência, as motos, a mudança para Porto Alegre, as namoradas... O sangue brotou logo, sinal que algum órgão vital tinha sido atingido.</p>
<p>Fiquei consciente ainda por algum tempo, o suficiente para ouvir o protesto do assaltante por eu ter reagido. Ele não queria ter atirado – agora, será procurado pelos “ratos da homicídios”. Bem feito pra ele.</p>
<p>O primeiro táxi, o casamento, a chegada da minha filha... Minha vida chegou até o que sou hoje: um taxista baleado. Lentamente, fui perdendo a consciência. A visão foi ficando turva, já não pensava em mais nada. Logo, tudo ficou escuro e quieto. Meu peito já não doía mais. Sozinho dentro do meu táxi, eu parecia ter chegado ao fim.</p>
<p>Foi quando algo me trouxe de volta: um beijo de mulher. Mais do que um beijo, boca-a-boca. Ela soprava ar para os meus pulmões. Um sopro de vida, literalmente! Em seguida, outras pessoas chegaram, ligaram para o Samu. O socorro estava a caminho. Ainda vi as luzes piscantes e a sirena chegando, mas já era tarde. A morte me alcançou antes. FIM.</p>
<p>Esta história que acabei de contar sempre me vem à mente quando sou assaltado. Aconteceu de novo nesta semana. O cara me apontou a arma e eu fiquei imaginando, em detalhes, o que aconteceria se reagisse. Eu sempre acabo levantando as mãos, é claro. Do contrário, não estaria escrevendo esta crônica. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40490972.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Passageiros e seus assuntos</title>
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    <![CDATA[
    <p>O taxista que trabalha em ponto fixo acaba conhecendo bem seus passageiros. Quando o cliente liga, já sabemos o assunto que vai rolar durante a corrida.</p>
<p>Tenho uma passageira que só sabe falar das suas dores. Sequer cumprimenta o taxista. Antes mesmo de embarcar, ela se apóia na porta aberta, suspira fundo e começa a reclamar de alguma dor. É a Maria das Dores.</p>
<p>O Santana é outro passageiro obcecado por um único assunto: o seu carro. Ele tem um Volkswagen modelo Santana – segundo ele, o melhor carro do mundo. Passa a corrida toda falando do tal Santana, que tem isso, tem aquilo, que botou banco disso, direção daquilo. Ele já está no terceiro casamento. Troca a mulher, mas não o Santana.</p>
<p>A passageira esotérica é muito magra e usa uma tintura laranja no cabelo. Passa a corrida toda falando de terapias alternativas e pingando um líquido na língua com um conta-gotas. Dia desses, contou que está se submetendo a um tratamento que consiste em tirar sangue da veia e injetar na própria nádega (!). É ruim!</p>
<p>A evangélica só chama o táxi para ir à igreja. Passa a corrida toda pregando a “palavra”. Conta que quase ficou paralítica quando uma vizinha batuqueira lhe jogou uma bruxaria nas pernas. Foi quando nossa passageira teria aceitado Jesus no coração. Segundo ela, a “palavra” lhe curou. Desde então, tenta evangelizar os taxistas.</p>
<p>Mas o pior de todos é o Bira, um passageiro meio pancada que temos aqui no ponto. Acreditem ou não, o assunto preferido do Bira é as suas hemorróidas. Depois de anos sofrendo com o problema, ele acabou tornando-se um especialista no assunto. Técnicas de assepsia, banhos de assento, novos medicamentos... Ele sabe tudo! Desenvolveu até uma almofada especial com enchimento de ervas medicinais. Só vendo.</p>
<p>Ao taxista cabe dirigir e escutar, não mais que isto. Por vezes, sou capaz até de fingir interesse, como se estivesse escutando pela primeira vez o assunto. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40483769.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>O passageiro das letras</title>
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    <![CDATA[
    <p>Porto Alegre respira literatura. A Feira do Livro é uma excelente oportunidade para abastecer a prateleira com leitura de qualidade.</p>
<p>Eu sempre carrego algum livro sobre o painel do meu táxi. Em geral, exemplares de segunda mão, comprados nos sebos do centro da cidade. Nos momentos de ociosidade, de serviço em baixa, um livro é uma mão na roda.</p>
<p>Muitas vezes levo o livro aberto, no banco do carona, para ir lendo nas paradas de sinal fechado, tal é a ansiedade de chegar ao fim da história. Já deixei de fazer corrida por estar em um ponto empolgante de alguma narrativa. Os passageiros que esperem o desfecho do capítulo.</p>
<p>Dias atrás, embarcou no meu táxi um simpático casal de jovens. Notei que o garoto não tirava os olhos do meu livro, que levo sobre o painel. A menina, menos tímida, acabou revelando que seu namorado é sobrinho de um antigo passageiro meu, um famoso escritor que já morreu há mais de uma década. O garoto, então, pegou meu livro e procurou nele a página em que falo do seu tio. Aprovou o texto.</p>
<p>Lembro pouco das corridas que fiz para Caio Fernando Abreu – o teor dos diálogos não sobreviveu ao passar do tempo –, mas recordo perfeitamente que os livros sobre o painel me tornaram um taxista especial aos olhos do meu ilustre passageiro. Lembro que ele gostava de andar no meu táxi e queria sempre saber o que andava lendo. Talvez, eu o tenha decepcionado com meus Sidney Sheldon...</p>
<p>Alguns dias após a morte do Caio, encontrei, em um sebo, um exemplar em bom estado de Morangos Mofados. Lembro que esse livro habitou o painel do meu táxi por um bom tempo, como um farol, clareando o caminho para novas leituras. Desde então, abandonei os best-sellers importados. Passei a apreciar o texto mais curto, mais urbano. Uma prosa que tenha mais a ver comigo. Atualmente, procuro ler autores que tenham um jeito, digamos, mais Caio Fernando Abreu de escrever. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40476834.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>A eleição que eu não vi</title>
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    <![CDATA[
    <p>Eu ando cada vez mais desligado do mundo, que horror!</p>
<p>A assinatura que eu tinha de um jornal troquei por uma assinatura de banda larga – pelo computador se pode ler todos os jornais do mundo. Mas isso vem se mostrando inútil, porque tenho cada vez menos paciência para a Internet.</p>
<p>Minha tevê a cabo ando pensando em cancelar, pois quase não assisto. O controle remoto está coberto de poeira. Também não ouço notícias pelo rádio: meu novo táxi veio com um tocador de MP3 – minha filha me fez um CD com 1 milhão de músicas, ainda não consegui ouvir a metade.</p>
<p>Tudo o que sei do mundo é aquilo que vejo com meus próprios olhos.</p>
<p>A restrição da propaganda política nas ruas acabou com a “festa democrática” em nome da limpeza urbana. Tudo bem, aquela poluição visual era mesmo um saco.</p>
<p>O problema é que o processo eleitoral acabou virando uma coisa muito eletrônica, quase virtual. Tudo o que eu vi desta campanha foram poucos militantes mal pagos segurando bandeiras murchas pelas esquinas da cidade. Deprimente.</p>
<p>Sendo assim, não é de admirar que eu tenha esquecido que havia segundo turno no domingo. Minha filha que me lembrou! Acabei, às pressas, escolhendo um candidato na última hora, praticamente na boca da urna. Aliás, a urna já não tem mais boca, pois também é eletrônica.</p>
<p>O que salvou estas patéticas eleições foi uma velhinha (sempre elas), que embarcou no meu táxi e pediu que a levasse até o seu local de votação. Ela estava concentrada, não queria nem falar para não esquecer o número do candidato. Tudo bem.</p>
<p>Chegando lá, agradeceu e foi desembarcando. Quando lhe informei o preço da corrida, ela exclamou admirada:</p>
<p>– Ué, mas hoje não é passe livre?! </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40469120.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>As aparências (nem sempre) enganam</title>
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    <created>2008-10-20T12:00:00-03:00</created>
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    <![CDATA[
    <p>Dia desses, meu colega Rui pegou uma corrida para Cachoeirinha. Era um rapaz pobre com um boné enterrado na cabeça e óculos escuros. O passageiro foi o caminho todo se queixando do preconceito que estava sofrendo por estar mal arrumado. Disse que nenhum taxista queria fazer sua corrida.</p>
<p>Falou que também estava difícil conseguir emprego, pois tinha passagem na polícia. Argumentou que não era justo que as pessoas o discriminassem por isso.</p>
<p>Rui quase foi às lágrimas. Meu colega, comovido, pensou em seu filho, também jovem, também com dificuldade para encontrar emprego.</p>
<p>O final da corrida foi em uma rua sem saída de Cachoeirinha. Quando Rui parou o táxi, o rapaz puxou a chave da ignição e anunciou o assalto. Só quando viu o brilho da arma na cintura do bandido é que meu colega caiu na real. Aí, já era tarde.</p>
<p>A garota embarcou e perguntou se eu conhecia uma certa casa de prostituição muito famosa da cidade. Eu disse que sim. Ela, então, pediu que eu a levasse até lá.</p>
<p>Assim que partimos, ela tratou de esclarecer que não trabalhava na tal casa. Falou que sempre que vai até lá os taxista ficam lhe paquerando pelo retrovisor. Alguns chegam até a perguntar o preço que cobra pelo programa! Ela explicou que é representante de uma bebida energética e que vai lá a negócios. Que ficasse bem claro. Eu, hem?!</p>
<p>Algumas horas mais tarde, por coincidência, peguei dois turistas à procura de diversão. Lembrei da casa onde havia deixado a garota horas antes. Levei-os até lá. Depois que os passageiros desceram, o porteiro me pediu que aguardasse um minuto. Ele explicou que a casa estava precisando de um táxi. Eu levaria uma garota de programa que trabalhava ali para atender a um cliente em um hotel.</p>
<p>Alguém é capaz de adivinhar quem foi a garota que levei até o hotel? Quem pensou na minha passageira da corrida anterior acertou! </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40461978.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Orgulho de ser taxista</title>
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    <modified>2008-10-13T12:00:00-03:00</modified>
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    <![CDATA[
    <p>Essa história conta como a vida ensinou meu colega Renatão a lidar com o preconceito por ser um taxista.</p>
<p>De uns tempos pra cá, Renatão passou a freqüentar bailões. Mais do que dançar, ele procura nos bailes uma dama que lhe amenize a solidão da viuvez. Foi em um salão do município de Alvorada que ele encontrou alguém que parecia ser a mulher certa.</p>
<p>Renatão disse que foi amor à primeira vista. Joice era o seu nome. Uma morena de cabelo curto e pele acetinada. A química entre os dois aconteceu já nos primeiros passos que deram pelo salão. Depois de dançar, eles sentaram e, entre uma cerveja e outra, trataram de se conhecer melhor. Tudo ia muito bem, até que a morena saiu com essa:</p>
<p>– Só existem dois tipos de homens com os quais eu não me envolvo, brigadianos (policiais militares) e taxistas...</p>
<p>Renatão engoliu em seco. Disfarçou sua decepção pedindo mais uma porção de batatas fritas. Inventou que trabalhava em uma empresa de transporte. Contornou.</p>
<p>Na hora de ir embora, deixou seu táxi no estacionamento e levou a morena pra casa em um outro táxi, que pegou em frente ao bailão. Depois de deixá-la em casa, voltou e resgatou seu carro.</p>
<p>Foi assim por mais alguns bailes. A cada novo encontro, a paixão aumentava. No fim da festa, Renatão pagava um táxi alheio. Até que, um dia, ele resolveu abrir o jogo. Contou toda a verdade.</p>
<p>A morena reagiu mal. Não aceitou ter sido enganada. Meu colega disse que deixou de freqüentar o tal baile por algum tempo, para ver o que acontecia.</p>
<p>Meses depois, quando a saudade apertou, ele voltou ao bailão de Alvorada. Encontrou a morena acompanhada. Nos braços de um brigadiano!</p>
<p>Desde então, Renatão faz questão de deixar sempre bem claro: é um taxista e se orgulha disto. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40454345.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Nem tudo está perdido</title>
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    <modified>2008-10-06T12:00:00-03:00</modified>
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    <![CDATA[
    <p>Meu colega Toninho trabalha há mais de 30 anos na praça. Já passou por poucas e boas. Bastam poucos minutos de conversa para que o calejado taxista desfralde uma quantidade incrível de casos passados ao volante.</p>
<p>Assaltos, ele já perdeu as contas. Toninho contou que, certa vez, foi calçado com uma faca quando descia a Avenida Protásio Alves. Não sentindo firmeza no assaltante, resolveu radicalizar: acelerou o táxi com tudo! Vendo que morreria espatifado em um poste, o bandido teria jogado a faca no colo do Toninho e se rendido. Loucura!</p>
<p>Pois, nesta semana, Toninho me chamou em um canto para me contar uma corrida que havia acabado de fazer. Ele estava emocionado e, cheio de cerimônia, disse que tinha sido um dos momentos mais “fortes” pelos quais já havia passado nos anos todos de praça. Preparei-me para o pior.</p>
<p>Contou que um homem embarcou no táxi acompanhado de uma criança de uns três anos. O passageiro estava indo até uma delegacia registrar o roubo do seu carro. Durante todo o percurso, Toninho conversou com o homem a respeito de violência e insegurança, enquanto a criança saracoteava no banco traseiro, alheia a tudo.</p>
<p>No fim da corrida, depois de dar o troco ao passageiro, Toninho disse que estava distraído, ajeitando o dinheiro, quando sentiu dois pequenos braços lhe envolvendo pelas costas. Enquanto o homem descia, sua filhinha abraçou meu colega por trás e deu-lhe um beijo na face! Toninho disse que ficou besta com aquele carinho inesperado.</p>
<p>Depois de receber um beijo de volta, a menina abriu um sorriso de anjo e se foi, mãos dadas com o pai, deixando o Toninho arrebatado de tanta emoção.</p>
<p>A violência sempre existirá, isto é certo. Os assaltos a táxi, por exemplo. Semana passada, perdemos mais um colega, vítima da estupidez humana. Mas é preciso acreditar que nem tudo está perdido. As crianças são a prova disso. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40446902.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Táxi - Manual do proprietário</title>
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    <![CDATA[
    <p>Tenho recebido algumas mensagens de pessoas interessadas em entrar no ramo do transporte seletivo. Um pessoal completamente sem noção, que busca em mim informações sobre a profissão de taxista. Cansado de responder a essas perguntas, resolvi elaborar um manual prático para novos proprietários de táxi.</p>
<p>INTRODUÇÃO: parabéns, você acaba de adquirir um táxi, um produto de excelente aceitação no mercado. Antes de usá-lo, leia atentamente este manual.</p>
<p>PRÉ-REQUISITOS: saber dirigir. Essa é a única exigência fundamental, mas é aconselhável também que o proprietário possua muita paciência e espírito de aventura.</p>
<p>MODO DE USAR: não requer prática nem habilidade. Basta que você circule com o táxi pelas ruas da cidade, prestando atenção aos sinais dos pedestres.</p>
<p>ACESSÓRIOS: o táxi vem equipado com um dispositivo luminoso sobre o teto, que deve ser ligado à noite. Tem também um taxímetro, que deve ser acionado ao início de cada corrida.</p>
<p>SEGURANÇA: o proprietário do táxi não tem a menor segurança. Não é à toa que muitos taxistas penduram no retrovisor figas, rosários, pés-de-coelho etc.</p>
<p>CUIDADOS: o táxi é fabricado com peças grandes e resistentes. Quando jogado contra pedestres, pode causar a morte dos mesmos!</p>
<p>MANUTENÇÃO: recomenda-se atenção à lubrificação das dobradiças de portas. O entre-e-sai em um táxi é grande.</p>
<p>GARANTIA: não há garantia. Sua satisfação com o táxi depende, entre outras coisas, do seu esforço e do bom momento da economia.</p>
<p>ADVERTÊNCIA: o táxi é contra-indicado para preguiçosos, haja vista que seu bom rendimento é diretamente proporcional ao tempo que o proprietário passa ao volante.</p>
<p>No mais, é arregaçar as mangas e torcer para que tudo dê certo. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40439511.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>A passageira do amor</title>
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    <![CDATA[
    <p>Muitas histórias que escrevo são casos que ouço da boca de colegas, que, por sua vez, escutaram de outros. A praça é cheia de verdadeiras lendas urbanas, de personagens de origem imprecisa, que habitam a imaginação dos taxistas. Uma dessas figuras é a “passageira do amor”.</p>
<p>Ela seria uma mulher muito linda, de corpo escultural, sempre vestida com roupas muito provocantes, que embarca nos táxis sempre no banco da frente. Numa certa altura do percurso, tal mulher propõe pagar a corrida com amor. Com sexo oral. Ato libidinoso este praticado ali mesmo, com o carro em movimento.</p>
<p>Um dos taxistas que diz ter sido “vítima” dessa tal mulher é meu colega José Luis, o popular Biela. A história que ele conta é convincente e cheia de detalhes sórdidos, que vou tentar resumir aqui de forma publicável, é claro.</p>
<p>Ao dar o dia por encerrado, como de costume, Biela tocou em direção ao Hospital de Clínicas, onde pegaria sua esposa na saída do trabalho. No caminho, resolveu aproveitar para fazer uma última corrida. Era, justamente, a passageira do amor.</p>
<p>Exímia na arte da sedução, depois de breves carícias, a mulher teria sacado um preservativo da bolsa e efetuado o “pagamento” da corrida Avenida Protásio Alves abaixo. Consumado o crime, teria jogado a camisinha pela janela do táxi. Uma verdadeira loucura!</p>
<p>Estacionado em frente ao hospital, esperando sua esposa, Biela disse que se perdeu em devaneios. Quando se deu conta, um grupo de pessoas observava seu táxi da calçada. Entre sorrisos maliciosos, apontavam para a porta do carro. Antes que meu colega pudesse entender o que se passava, sua mulher chegou.</p>
<p>O casamento do Biela acabou naquele momento. Não é pra menos. Ele jamais vai conseguir explicar aquela camisinha, ainda gotejante, pendurada na maçaneta do seu táxi! </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40431252.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Eu no museu</title>
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    <p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WLGgnGGWa3E&hl=pt-br&fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/WLGgnGGWa3E&hl=pt-br&fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object> </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40426591.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Passageiros angustiados</title>
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    <![CDATA[
    <p>Você é daqueles que divide suas angústias com o taxista?</p>
<p>Um homem embarca indignado. Ele saiu da oficina na qual está consertando seu carro importado. A peça avariada custará o olho da cara. O cara está inconformado com a quantidade de impostos embutidos no valor da tal peça. Conta que a maioria dos seus amigos manda dinheiro para o Uruguai, para fugir dos impostos brasileiros. Diz que está pensando em fazer o mesmo.</p>
<p>Uma mulher está indo à Polícia Federal para tirar seu passaporte. Ela pretende visitar o filho que mora na Inglaterra. Relata que o rapaz, formado em Engenharia Elétrica, foi contratado por uma grande empresa de telefonia, na qual alcançou um cargo de chefia. Depois de ganhar um bom dinheiro, o jovem largou tudo e foi para a Inglaterra estudar guitarra. Ela se declara orgulhosa do filho, mas não consegue esconder uma ponta de angústia quanto ao futuro incerto do músico.</p>
<p>Uma criança com cerca de dez anos embarca no táxi, auxiliada por seu pai. Ela é cega. Durante a corrida, o homem revela que está inconformado, pois não querem deixar sua filha participar de um campeonato infantil de judô. Devido à falta de precedentes de participantes com deficiência visual, a organização resolveu vetar a pequena atleta. Segundo o passageiro, o que mais lhe entristece é a pressão de outros pais, que temem ver seus filhos perderem para uma menina que não enxerga.</p>
<p>Corrida para a Rodoviária. O passageiro está indo para Bagé, onde seu filho reside. O rapaz está hospitalizado em estado grave. Os médicos desconfiam que tenha sido envenenado. Conforme meu passageiro, a principal suspeita do crime seria a sua nora, que, segundo alguns amigos do casal, teria prometido matar o marido. Durante a corrida, o homem dá a entender que estaria armado e seria capaz de um despautério se o filho morrer.</p>
<p>E por aí vai... </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40423526.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Água que passarinho não bebe</title>
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    <![CDATA[
    <p>Minha colega Vera é uma simpatia só. Verinha é uma taxista muito requisitada nas imediações do Colégio Rosário. Professores, pais, alunos, todos são cativados pelo jeito amável da minha amiga.</p>
<p>Entre seus muitos clientes, estão umas frerinhas que, volta e meia, chamam a Vera pelo celular. Preocupadas com a magreza da minha colega, toda vez que usam o táxi, as simpáticas irmãs trazem alguma coisinha para a Vera comer.</p>
<p>Dia desses, as Irmãs ligaram pedindo para minha colega pegar uma torta para elas em uma confeitaria. Vera deveria levar a encomenda ao endereço delas, na Rua Riachuelo. Combinado.</p>
<p>Quando chegou ao Centro, Vera deparou-se com a Riachuelo completamente congestionada. Como era só entregar a torta, ligou para as irmãs e pediu que elas esperassem na calçada. Fazia um calor terrível, o sol estava a pino.</p>
<p>De longe, Verinha avistou suas simpáticas clientes com seus hábitos brancos. Pressionada pelo trânsito, minha colega ligou o alerta, parou o táxi e passou a torta pela janela mesmo.</p>
<p>As religiosas agradeceram e, como de costume, passaram à Vera um embrulho com uns petiscos e uma pequena garrafa plástica, dessas de água mineral. Verinha, que estava morrendo de sede, agradeceu rapidamente e, empurrada pelas buzinas alheias, partiu veloz.</p>
<p>Na primeira parada que o trânsito deu, Verinha disse que pegou a garrafa, abriu e tomou um bom gole, no bico mesmo. Minha colega contou que foi como se uma bola de fogo descesse por sua garganta e explodisse em seu estômago!</p>
<p>Na correria, as irmãs esqueceram de dizer que a garrafa continha uma cachacinha especial, produzida no Interior do Estado, em um alambique próprio.</p>
<p>Vera, que não bebe nada de álcool, disse que passou o resto do dia chupando balas para tentar tirar o gosto de cachaça da boca. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40415664.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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    <title>Histórias tenebrosas</title>
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    <![CDATA[
    <p>Há algum tempo, perdemos, de forma trágica, um querido colega, o Pedrinho. Em uma atitude extrema, Pedro suicidou-se. Nosso colega conseguiu dar dois tiros contra a própria cabeça. Dois tiros! Mesmo o experiente legista do DML disse nunca ter visto coisa igual. Enfim...</p>
<p>No caminho para o cemitério, meu colega Ari, que foi de carona comigo, narrou uma outra história igualmente incrível. Contou que, certa feita, sofreu um infarto e foi internado no Instituto de Cardiologia. No meio da noite, apareceu um enfermeiro no quarto. O homem dirigiu-se ao meu colega, chamando-o de Breno.</p>
<p>O Ari, então, explicou que este não era seu nome, que Breno era o nome do seu irmão. O tal enfermeiro teria dito que era justamente ao irmão do Ari que ele estava se dirigindo. Disse que o Breno estaria ao lado da cama, cuidando do Ari. Meu colega falou que Breno, seu irmão, havia morrido fazia um ano... Na manhã seguinte, Ari disse que ninguém soube informar sobre o tal enfermeiro.</p>
<p>Chegamos ao velório do Pedrinho nesse clima. Matutando sobre os mistérios do sobrenatural. A capela estava cheia. Depois das condolências de praxe, Ari aproximou-se do caixão para uma última saudação ao colega. Eu preferi ficar ao longe.</p>
<p>Acontece que quando o Ari foi colocar a mão sobre a cabeça do finado, justamente naquele instante, seu telefone, que estava no modo vibratório, recebeu uma chamada. A vibração contra a perna do Ari no exato momento em que ele tocou a pele fria do defunto causou um choque tão grande em meu colega que ele deu um grito e saltou para trás. Na manobra, bateu com a perna no caixão, que por muito pouco não foi ao chão. Alvoroço geral no velório!</p>
<p>Com o coração à beira de outro infarto, Ari se mandou capela afora. Só para sacanear, perguntei se ele queria que eu o levasse ao Instituto de Cardiologia. </p>    <p><a href="http://www.comm.blogger.com.br/1/2/4/124549/comment_124549_40407715.html">comentários</a></p>
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      <name>Mauro Castro</name>
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